domingo, 7 de novembro de 2010

Viver

Engraçado como as vezes nos escondemos de nós mesmos
Evitamos nos olhar, simplesmente enchemos nossas horas com tarefas
Trabalhamos demais, nos preocupamos demais, preenchemos cada lacuna do nosso tempo
das nossas 24 horas, para não pensar em nós mesmos
E assim um novo dia recomeça
Mas nossas vidas não
O medo de parar e olhar para dentro, para nossos medos, receios, virtudes e defeitos é tão imenso
Achamos tudo isso tão destruidor
Que nos fechamos, trabalhamos, assumimos a vida dos outros, ocupamos cada segundo com coisas tão
menores que nós mesmos.
A dona de casa que se preocupa mais com a limpeza do que com a felicidade do filho, o marido que trabalha tanto, que faz hora extra, mas que na verdade tem medo de ficar em casa.
A adolescente que prefere os jogos da internet à convivência com a familia, os jogos distraem para não olhar as alterações hormonais.
Pois é, tantas desculpas, tanta falta de tempo
Eu costumo dizer que tem um lugar que é meu lugar no mundo, mas na verdade se um dia eu tiver coragem de olhar pra mim, talvez eu perceba que não tem melhor lugar no mundo que dentro de mim mesma.
Mas o medo de me olhar, é como o seu, ele me corroe, e eu cedo.
São tantas desculpas esfarrapadas para não me ouvir
Para não escutar aquela criança que insiste em dizer seja feliz.
Mas o que será essa coisa, será que felicidade é de comer? Ou algum tipo de animalzinho de estimação que não sei o que come??
Não sei, e esses não saberes vão seguindo e eu vou passando a vida
Dizem que na morte um filme da nossa vida passa em segundos por nossos olhos, a minha pergunta é
Será que eu vou gostar do meu próprio filme???
Será que você vai gostar do seu???

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu,prisioneiro meu descobri no breu uma constelação
Céus, conheci os céus pelos olhos seus véu de comtemplação
Deus, condenado eu fui a forjar o amor no aço do rancor
e a transpor as leis mesquinhas dos mortais
Vou, entre a redenção e o esplendor de por você viver
Sim, quis sair de mim esquecer quem sou e respirar por ti
e assim transpor as leis mesquinhas dos mortais

Agoniza virgem Fênix  O amor
entre cinzas, arco-íris e esplendor
por viver às juras de satisfazer o ego mortal

Coisa pequenina, centelha divina, renasceu das cinzas
Onde foi ruína pássaro ferido hoje é paraíso
Luz da minha vida, pedra de alquimia
Tudo o que eu queria renascer das cinzas

Quando o frio vem nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer a luz da escuridão
e a dor revela a mais esplêndida emoção
O amor
 
Senti no seu hálito molhado de sedução
O doce féu da paixão
E na luz dos seus olhos
O farol da ilusão
Seus braços a me apertar
Tiram-me o ar
Na boca teu nome
Na alma teu gosto
Teu cheiro me inebria e me seduz
Buscando-me na escuridão e me trazendo a luz.
" Eu amo tudo o que foi,   
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa, 1931. "

domingo, 3 de outubro de 2010

Anjo

Gaste todo seu tempo esperando
Por aquela segunda chance,
Por uma mudança que resolveria tudo
Sempre há um motivo
Para não se sentir bom o bastante,
E é difícil no fim do dia.
Eu preciso de alguma distração.
Oh, perfeita liberação
A lembrança vaza de minhas veias...
Deixe-me vazia
E sem peso e talvez
Eu encontrarei alguma paz esta noite.


Nos braços de um anjo,
Voe para longe daqui,
Deste escuro e frio quarto de hotel
E da imensidão que você teme.
Você é arrancado das ruínas
De seu devaneio silencioso.
Você está nos braços de um anjo,
Talvez você encontre algum conforto aqui


Tão cansado de seguir em frente,
E para todo lugar que você se vira
Existem abutres e ladrões nas suas costas,
E a tempestade continua se retorcendo.
Você continua construindo a mentira
Que você inventa para tudo que lhe falta
Não faz nenhuma diferença
Escapar uma última vez.
É mais fácil acreditar nesta doce loucura, oh
Esta gloriosa tristeza que me faz ajoelhar.


Nos braços de um anjo,
Voe para longe daqui,
Deste escuro e frio quarto de hotel
E da imensidão que você teme.
Você é arrancado das ruínas
De seu devaneio silencioso.
Você está nos braços de um anjo,
Talvez você encontre algum conforto aqui
Você está nos braços de um anjo.
Talvez você encontre algum conforto aqui

sábado, 7 de agosto de 2010

Amar!

Eu quero amar,
amar perdidamente!
Amar só por amar:
aqui... além...
Mais Este e Aquele,
o Outro e toda a gente...
Amar! Amar!
E não amar ninguém!

Recordar?
Esquecer?
Indiferente!...
Prender ou desprender?
É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira
é porque mente!

Há uma primavera
em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz,
foi pra cantar!

E se um dia hei de ser pó,
cinza e nada,
Que seja a minha noite
uma alvorada,
Que me saiba perder...
pra me encontrar...

Florbela Espanca

NOITE DE SAUDADE

A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra , que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a Noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!...Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que eu tenho!!

Florbela Espanca